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Educação financeira nas empresas como uma política de RH

As empresas têm se preocupado cada vez mais com o bem-estar de seus funcionários. Investem em programas e iniciativas para melhorar a qualidade de vida no ambiente de trabalho e buscam se posicionar como empresas modernas, que acompanham tendências e valores procurados pela maior parte dos jovens que está ingressando hoje no mercado. Muitas delas chegam a mudar suas políticas e dogmas para serem reconhecidas como bons lugares para se trabalhar.



Mas autorizar o trabalho remoto, dar flexibilidade à vestimenta ou até mesmo permitir que os pets acompanhem seus donos durante o expediente, não são suficientes para garantir alta produtividade ou atrair e reter talentos. Questões como o estresse no ambiente corporativo e a depressão, por exemplo, são preocupações que precisam ser observadas mais atentamente pelas empresas. Além disso, há também um outro grave e silencioso problema que os empregadores precisam destinar parte de sua atenção: o desequilíbrio financeiro e o endividamento de seus funcionários.


No Brasil, hoje são mais de 63,4 milhões de pessoas com dívidas não pagas segundo a Serasa Experian. Boa parte delas está no mercado de trabalho, batalhando para pagar as contas em dia no fim do mês. Essa preocupação cotidiana com os boletos atrasados pode levar a uma maior incidência de depressão, de estresse, acidentes no trabalho e, por consequência, a baixa produtividade na empresa.


Mas o que as empresas ainda não se deram conta é que elas podem ser um ambiente propício para a promoção da educação financeira, assim como a escola é para os jovens estudantes. Apesar da heterogeneidade das pessoas e da origem de suas questões financeiras, as empresas são locais em que os funcionários se reúnem cotidianamente e, em geral, compartilham interesses e estilo de vida. Essas similaridades podem proporcionar um ambiente fértil para se desenvolver programas de educação financeira mais contextualizados e eficientes.


Contudo, para que haja o engajamento corporativo, é preciso encontrar uma clara proposta de valor também para a empresa. Um exemplo interessante é o programa de educação financeira que a Anbima tem em parceria com algumas universidades no Brasil. Quando o projeto estava sendo idealizado, os indicadores de sucesso pensados estavam apenas relacionados ao desempenho dos estudantes. Com isso, era baixo o envolvimento por parte das universidades prospectadas.


Quando foi criada uma proposta de valor clara, não apenas para os estudantes, mas também para as universidades envolvidas, o engajamento aumentou consideravelmente. O conceito sugerido foi de que, a partir de uma maior consciência financeira por parte dos alunos-alvo do curso, a universidade seria beneficiada com índices de inadimplência mais baixos desses estudantes.


O fato é que investir em educação financeira no ambiente corporativo não tem nada de filantropia. Trata-se de um investimento concreto de longo prazo para melhorar os índices de produtividade da organização. Algumas empresas já se deram conta de que investir em educação financeira é um excelente negócio, mas infelizmente ainda são poucas. Para elas, liderar programas que levem essa consciência ao ambiente de trabalho é muito mais do que investir em um projeto social. É conseguir se manter competitiva e produtiva. É se mostrar interessada em resolver um grave problema da sociedade e de genuinamente se preocupar com o bem-estar sustentável de seus empregados.



Ana Leoni é superintendente de educação financeira da Anbima




Fonte: Valor Investe

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